Ele é jornalista há 46 anos, natural de Belém-PA. Considerado referência nacional e internacional quando o assunto é Amazônia dos anos 70 para cá. Em sua carreira passou pelas principais redações do país, como, Realidade, Correio da Manhã, no O Estado de S.Paulo foi principal o repórter da região e coordenador geral da cobertura dos correspondentes da Amazônia. Nesse período teve vida acadêmica e deu cursos sobre a Amazônia em universidades dos Estados Unidos e da Europa. Em 1988 deixou a grande imprensa para dedicar-se ao Jornal Pessoal, newsletter quinzenal, que não aceita anunciantes, nele, Lúcio Flávio escreve sozinho há 20 anos.
Um experiente jornalista, abandona as redações e cria um jornal com total liberdade de expressão, livre de publicidades e influência do governo, limitado apenas pela a capacidade de se informar e de transmitir informações do seu solitário redator. O resultado são importantes prêmios do jornalismo brasileiro e do exterior, além de e 33 processos que tentam calar Lúcio Flávio Pinto.
O Jornal Pessoal desespera os poderosos da região. Prova disso, é o fato que segue, que é de revoltar todo cidadão brasileiro.
Há 17 anos, os representantes paraenses da corja comandada pela família Marinho perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, dono (junto com seu irmão, Romulo Maiorana Jr.) do Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão, emboscou Lúcio por trás, num restaurante, e espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar, contratados nas suas horas vagas e depois promovidos na corporação. O espancamento, crime de covardia inominável, só rendeu a Maiorana a condenação a doar algumas cestas básicas.
Alguns meses depois da agressão, Lúcio foi convidado pelo jornalista Maurizio Chierici a escrever um artigo para um livro a ser publicado na Itália. O texto jornalístico, relatava as origens do grupo Liberal. Em determinado momento, dentro de um contexto bem mais amplo, ele fez referência às atividades de Maiorana pai no contrabando, prática bem comum, aliás, na Região Norte na época. Como se pode depreender da leitura do artigo, nada ali tinha cunho calunioso, posto que – uma vez processado -, Lúcio anexou aos autos toda a documentação que provava a veracidade do que afirmava. O que ele oferece em seus textos, entre muitas outras coisas, é a documentação, história e raízes daquilo que é sabido até mesmo pelos mosquitos do mercado Ver-o-Peso: que n’O Liberal só se publica aquilo que é de interesse da corja dos Marinho.
Mas eis que chega do Pará a estranha notícia de que o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém, condenou Lúcio a pagar a soma de 30 mil reais aos irmãos Maiorana – representantes paraenses, lembrem-se, da organização comandada pelos Marinho. Lúcio também foi condenado a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios. A pérola de justificativa do juiz fala do “bom lucro” de um jornal artesanal, de tiragem de 2 mil exemplares por quinzena. Ainda por cima, o juiz proíbe Lúcio de usar “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”, o que constitui, segundo entendo, extrapolação característica de censura prévia contrária à Constituição Federal. O juiz fundamenta sua decisão dizendo que Lúcio havia “se envolvido em grave desentendimento” com eles. É a velha praga do eufemismo: um espancamento pelas costas se transforma em “desentendimento”.

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Depois de ter sofrido todo tipo de violência, inclusive a agressão física, sei o que me espera. Mas não desistirei de fazer aquilo que me compete: jornalismo. Algo que os poderes, sobretudo o judiciário do Pará, querem ver extinto, se não puder ser domesticado conforme os interesses dos donos da voz pública.’ Diz Lúcio Flávio (foto) em resposta a sua condenação.
O sindicado dos jornalistas do estado do Pará posicionou-se a favor de Lúcio Flávio, em nota ao DIÁRIO o sindicato repudia “veementemente qualquer forma de cerceamento de liberdade de expressão e, sobretudo, de liberdade de imprensa”.
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Cynthia Blink