James Cameron no Fórum Internacional de Sustentabilidade

No último dia do Fórum Internacional de Sustentabilidade, a figura mais evidente foi o cineasta James Cameron. Ele protagonizou a palestra da tarde falando a respeito do seu último filme, Avatar. Segundo o próprio, a pretensão principal do filme não era ganhar dinheiro, mas sim usá-lo para denunciar o descaso dos seres humanos com a natureza.

O premiado diretor focou a palestra nos problemas que temos que enfrentar para que a próxima geração não sofra mais. “Que tipo de ancestrais queremos ser?”, refletiu. James disse ainda o objetivo de seu filme era justamente fazer com o público se conscientizasse dos problemas ambientais, principalmente as crianças. Falou do trabalho de sua esposa, Suzy Amis, com a conscientização de crianças na Califórnia e em outros países através do Skype. Na coletiva de imprensa, ela falou da importância de fazer com as crianças tenham a preservação como modo de vida, fazer com que seja algo natural para elas.

Outro assunto abordado por Cameron foi a usina de Belo Monte. Pediu, inclusive, ao presidente Lula que pensasse mais sobre o futuro e a diferença que ele pode fazer. A megausina, que deve ser licitada em breve, causará o desvio das águas do Rio Xingu e pode afetar 25 mil moradores locais.

O cineasta comentou também sobre a seqüência de Avatar. James falou pela primeira vez que a temática do filme será o oceano e que as cenas na floresta, assim como no primeiro, serão inteiramente produzidas por computador, descartando a possibilidade de serem filmadas na Amazônia.

Assim como Al Gore, Cameron foi homenageado ao fim de sua palestra com uma estátua, também confeccionada por Bia Doria, e uma bandeira do Amazonas entregue por Jecinaldo Barbosa, o primeiro secretário indígena do Brasil. 

    Thamires Clair, estudante de Jornalismo da Ufam.

Primeiro dia do Fórum Internacional de Sustentabilidade

O Amazonas é sede do Fórum Internacional de Sustentabilidade nos dias 26 e 27 de Março. No primeiro dia, o evento, que ocorreu no Hotel Tropical, teve programação desde a manhã até a noite, com palestras, debates e refeições. Contou a participação de mais de 90 jornalistas e 550 convidados entre famosos, autoridades e empresários.

Nesta manhã, a abertura contou com a participação do Governador Eduardo Braga e João Doria Jr, Presidente do LIDE (Grupo de Líderes Empresariais). Em seguida ocorreu a primeira palestra, com Thomas Lovejoy, diretor do The H. John Heinz III Center For Science. Ele abordou a importância da Amazônia no contexto das mudanças climáticas globais.

O primeiro debate do dia foi apresentado por Ana Paula Padrão, jornalista, e compunham a mesa nomes como Mark London, escritor e jornalista; Adalberto Luis Val, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); Nadia Ferreira, secretária de Estado do Meio Ambiente do Amazonas e Roberto Cavalcante, presidente da Conservation International Brasil, além de Thomas Lovejoy. As perguntas vindas da platéia levantaram questões pertinentes para o discussão como a sustentabilidade econômica versus a ambiental. Segundo o governador do Amazonas, a Zona Franca é um exemplo que as duas podem coexistir, pois gera empregos e ajuda na economia sem precisar destruir o meio-ambiente.

A segunda parte do dia foi dedicada ao ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ganhador do Prêmio Nobel da paz, Al Gore. Ele palestrou sobre o grande valor que tem a Amazônia em relação aos outros países. “A voz do Brasil tem poder e influência no resto do mundo nas questões ambientais”, disse Al Gore. Ressaltou que é aqui que se encontram as respostas para muitos males como o câncer, inclusive. Falou ainda sobre a grande quantidade de gás carbônico presente nessa parte do mundo, até mesmo no subsolo. Abordou também a importância de se manter o equilíbrio no ecossistema, dizendo que somos responsáveis pela sobrevivência das gerações futuras.

Ao final da palestra, o ganhador do prêmio Nobel respondeu algumas perguntas. Uma delas feita por um internauta de Curitiba, Paraná, se referia à valorização exagerada da Amazônia, ao que Al Gore respondeu prontamente estar equivocada. Segundo ele, esse ecossistema é até mesmo pouco apreciado, já que uma a cada dez espécies do mundo vivem na Amazônia. Para concluir as perguntas, Al Gore foi indagado a respeito da seqüência de Avatar, filme do cineasta presente James Cameron. O ex-vice-presidente brincou dizendo que qualquer lugar seria bom para as filmagens do próximo filme de Cameron, já que ele teria se emocionado como nunca no primeiro. Por fim, o palestrante foi homenageado com uma estátua de madeira entregue pelas mãos de Eduardo Braga e confeccionada por Bia Doria, além de uma bandeira do Brasil.

O dia encerrou com o debate a respeito da responsabilidade das empresas na criação de uma economia sustentável na Amazônia entre 16 empresários além do governador do Estado. Nomes como Marco Simões, representante da Coca-cola; Cristina Calderaro, presidente do jornal A Crítica; Ivan Zurita, presidente da Nestlé Brasil e Rubens Prata, diretor-geral do O Estado de S. Paulo abordaram temas como a função dos meios de comunicação para a sustentabilidade. Segundo Rubens Prata, deve-se transformar a sustentabilidade em uma bandeira, fazer disso um pacto.

                                     Thamires Clair, estudante de jornalismo da Ufam.

 

Hora do Planeta, solução?

Para entrevistar a professora Aline Lira, do Departamento de Comunicação da Ufam e Mestre em Meio Ambiente, foi necessário uma pausa para o café. Na cantina do ICHL, claro. Com a iminente “Hora do Planeta” e a Feira Internacional de Sustentabilidade da Amazônia, o perfil da professora chama a atenção no twitter, em diversos posts:
@alinelira Dia sem carne, hora sem luz, sacola de pano? Fichinha. Quero ver é reduzir o consumo até que se seja sustentável.

Ou ainda:
@alinelira Alguém vai discutir padrões de consumo, ou qualquer outra mudança que seja efetivamente sustentável? Populações tradicionais serão ouvidas? #FIS

Verborrágica, Aline Lira não se fez de rogada diante de um entrevistador com papel e caneta na mão, bastou perguntar sobre a relevância de manifestações como a Hora do Planeta, Dia Mundial sem Carne, Sem Carro, etc, foi taxativa: “Esses momentos, e eu ressalto que no Brasil isso já é atrasado, só servem para chamar atenção, mas seria necessário ir além disso: pensar em sustentabilidade. Pensar em um desenvolvimento que seja limitado pelos recursos naturais e a sua capacidade de se renovarem, para que não se esgotem, no caso dos recursos renováveis e investir em novas alternativas no caso dos recursos não-renováveis”.
Conversamos sobre a Feira Internacional de Sustentabilidade da Amazônia e a presença de grandes figuras como Al Gore e James Cameron e o frenesi causado pela passagem destes, Aline: “Olha, para existir Comunicação Ambiental não se pode apenas transmitir informação, de forma unilateral, tem-se que [a] haver um feedback, para que se desenvolva a consciência de que é preciso agir. Eu temo que esses eventos e mobilizações, assim de forma avulsa, possam levar a um entendimento superficial da Comunicação Ambiental, por que vai passar a idéia de que a pessoa já faz a parte dela”.
Mas afinal, qual a diferença entre Informação Ambiental e Comunicação Ambiental? Simples, não é professora Aline? “A Comunicação Ambiental, grosso modo, é uma composição de sentidos e implica mudança de paradigmas, de consciência e só ocorre quando há identificação. O resultado é a mudança de comportamento. Já a Informação Ambiental apenas transmite uma mensagem sobre meio ambiente, não que não seja importante, mas é comum imaginar que só isso seria o suficiente, e não é.”
“Já deu pra ajudar?”, pergunta a professora. “Se precisar de informações me liga que a gente complementa.
Claro, acho que foi suficiente para um texto de internet. Mas se ainda não foi suficiente pra você, leitor, siga a Aline Lira no Twitter: @alinelira

Allan Gomes e Marcos Cordeiro, estudantes de jornalismo

A Hora do Planeta em Manaus

A “Hora do Planeta” é um ato simbólico organizado anualmente pela WWF onde cidadãos e governantes são convidados a apagar as luzes de suas casas, prédios e monumentos por uma hora a fim de demonstrar sua preocupação com o aquecimento do planeta. O evento foi realizado pela primeira vem em 2007, apenas em Sidney, na Austrália, tendo alcançado nos anos seguintes mais de 300 cidades espalhadas pelo mundo.

   Em 2010, o Brasil participará da “Hora do Planeta” pela segunda vez. No país o ato de apagar as luzes não tem a ver com economia de energia, já que a maior parte da eletricidade provém de hidrelétricas. No entanto, o Brasil é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa, sendo 75% destes provenientes do desmatamento, e a adesão ao evento demonstra a preocupação dos brasileiros com seus problemas ambientais. No ano passado os esforços dos organizadores da “Hora do Planeta” foram dirigidos principalmente à cidade do Rio de Janeiro devido à sua fama e prestígio mundial. Esse ano, porém, a mobilização alcançará 15 capitais brasileiras.

   Em Manaus, o Centro Universitário Luterano de Manaus (CEULM) realizará um show de música acústica com o grupo Imbaúba e o Grupo Musical Infantil Pássaros da Floresta a partir das 19:30h. Às 20:30h as luzes do campus serão apagadas e os participantes caminharão até o Parque Lagoa do Japiim, que também terá suas luzes apagadas. Além disso, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mobilizou seus campi pelo interior e quatro deles também realizarão eventos ligados à “Hora do Planeta”.

   “Hora do Planeta”: dia 27 de março, das 20:30h às 21:30h.

                                                                 Felipe Libório, estudante de jornalismo.

Museu e Memória da Medicina

Foi inaugurado o Museu Casa Eduardo, que funcionará como sede da Academia Amazonense de Medicina

“Feliz, emocionado e realizado”, assim se sentia Cláudio Chaves, médico e presidente da Academia Amazonense de Medicina, na inauguração do Museu Casa Eduardo Ribeiro, no dia 18. O palacete onde viveu o ex-governador, e que já foi sede da delegacia Federal de Saúde, SUCAM, e do Conselho Regional de Medicina do Amazonas, começou a ser reformada em 2002 pelo Governo do Estado, através da Secretaria da Cultura, e hoje é a Sede da Academia Amazonense de Medicina.

 Para Cláudio Chaves é um momento de comemoração para todos os médicos da região. “Com uma sede definida a Instituição fica mais serena e vai ter mais espaço para discutir questões importantes dentro da nossa área, e melhorar o serviço dos profissionais.”, comenta. O Palacete está reformado com móveis e utensílios domésticos típicos de uma residência particular de alto nível, conforme os padrões dos anos entre 1890 e 1900 da cidade de Manaus, reconstituídos e tendo por base referencial os bens do ex-governador, com acervo textual, documentos digitalizados, mensagens, relatórios e fotos de seus trabalhos.

Além de funcionar como sede da Academia, o Palacete também estará aberto a visitas monitoradas com uma hora e meia de duração durante toda a semana (de segunda à sexta das 9h às 17h, e das 16h às 21h nos sábados e domingos), com entrada franca. Também serão oferecidos aos visitantes Teatro História com datas marcadas, informações na linguagem virtual da vida e obra de Eduardo Ribeiro, da família Brett Vau de Castro e do Museu de Medicina.

O Museu Casa Eduardo Ribeiro fica na Rua José Clemente, número 322, próximo ao Teatro Amazonas, no Centro Histórico de Manaus.

     Mônica Dias, estudante de jornalismo.